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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Dia das Bruxas atrasado

De vez em quando eu ainda lembro que tenho esse blog, e ontem foi um dia desses.

O Dia das Bruxas já passou, mas por motivo de viagens só essa semana consegui experimentar a cerveja Wäls Abróba Imperial IPA, edição especial da cervejaria mineira em colaboração com o site Have A Nice Beer para a data.




Cervejaria Wäls está localizada em Belo Horizonte - MG, uma das capitais brasileiras da cerveja artesanal. Ela foi a primeira cervejaria sul-americana a ganhar uma medalha de ouro na World Beer Cup, com a sua Dubbel.

Mas a cerveja em questão hoje é uma Imperial IPA com abóbora.

O estilo Double IPA, ou Imperial IPA, é uma variação do estilo IPA (India Pale Ale, ales com bastante lúpulo) turbinada, leva o dobro ou o triplo de lúpulo que uma IPA tradicional, mas também leva mais malte em sua composição e resulta numa cerveja de maior ter alcoólico, normalmente acima de 8%. O estilo IPA tem origem na Inglaterra, mas foi nos EUA durante os anos 80 e 90 que foi reinventado e ganhou fama e adeptos em todo o mundo, surgindo os estilos American IPA, Imperial IPA, Black IPA, Belgian IPA, etc. 






Vamos a degustação.

Visual: cor de cobre e aspecto turvo, boa formação de espuma, persistente.


Olfato: doce de abóbora, mas sutil, não uma coisa enjoativa e descarada, malte, caramelo, canela. Com o tempo, o doce de abóbora fica mais evidente, mas também aparece o aroma floral do lúpulo, ervas (cidreira?).

Sabor: em boca ela é encorpada, com ataque inicial doce, justificando os 9% de álcool e o doce de abóbora, mas logo o lúpulo entra em ação. No retrogosto temos um pouco do floral do lúpulo, mas ao mesmo tempo nossas papilas continuam com o doce.


Cerveja: Wäls Abróba Imperial IPA
Fabricante: Cervejaria Wäls em colaboração com o site Have A Nice Beer
Estilo: Imperial IPA com abóbora
Graduação alcoólica: 9%
IBU: 93
Nota 80-85/100
Trilha sonora: The Smashing Pumpkins - Tonight, Tonight

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A qualidade do Pinot Noir de Pinto Bandeira e Indicação Geográfica


Uma das coisa boas de se fazer aniversário é reunir os amigos para comemorar a passagem de ano, e um bônus é receber presentes. O vinho que é tema do post de hoje, Pinot Noir Pinto Bandeira 2013, me foi dado pelo meu amigo André Peres Jr., enólogo da Vinícola Aurora.


De coloração rubi com reflexos violáceos.
Aromas de frutas vermelhas em compota, anis, framboesa, açúcar queimado, violeta, pimenta, flor de laranjeira, com o tempo evolui e se torna mais complexo, com aromas de tabaco e chá preto.
Na boca ele é envolvente, com boa estrutura, um certo amargor, mas que não tira pontos, sendo um vinho novo, os taninos não estão totalmente macios ainda, mas não são agressivos, com sabor defumado, retrogosto de ameixa em conserva.


O meu veredicto é muito favorável, a Pinot Noir já tinha demonstrado anteriormente em alguns vinhos potencial para vinhos com mais estrutura, vinhos médios, não apenas para o corte em vinhos base para espumante ou vinhos leves. Destaco também a apresentação do produto, uma garrafa estilo borgonha, muito pesada, com rótulo e contra-rótulo sóbrios e informativos.


Sobre a IP (Indicação de Procedência)


Lei n. 9.279 de 14 de maio de 1996, chamada Lei da Propriedade Intelectual, é a lei que regula as indicações geográficas, Indicação de Procedência e Denominação de Origem, no Brasil. Vou resumir da forma que eu entendo a diferença entre IP e DO, IP é uma região reconhecida por ter um produto ou serviço (no caso, o vinho) de qualidade, e na DO o vinho é de qualidade porque é produzido ali. Normalmente a IP será mais abrangente que a DO.
Pinto Bandeira foi a segunda região brasileira a receber IP para o vinho, a primeira é o Vale dos Vinhedos (que desde o ano passado possui a categoria DO).
Hoje já existe uma terceira, IP Vales da Uva Goethe, no sul de Santa Catarina (bacias do rio Urussanga e rio Tubarão). Uma quarta, IP Altos Montes, nos municípios de Flores da Cunha e Nova Pádua. E a última, registrada esse ano, IP Monte Belo, com áreas nos municípios de Monte Belo, Bento Gonçalves e Santa Tereza. As duas últimas, também na Serra Gaúcha.
Existem várias outras IP, para os mais diversos produtos e serviços, desde café e cachaça, passando por pedras, até rendas e serviços de TI. (Lista de IPs registradas no INPI)
A IP se localiza em Pinto Bandeira, ora distrito de Bento Gonçalves, ora município emancipado e no município de Farroupilha, no nordeste do Rio Grande do Sul, na Serra Gaúcha. Ela é regulada pela ASPROVINHO.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A harmonização da paleta

Depois de prepar a paleta, veio a segundo parte, harmonizar ela com 3 vinhos.



Nessa tarefa difícil contei com o apoio dos meus colegas enólogos Eduardo Milani e Lucas Sartori. Cada um trouxe um vinho para escolhermos o que melhor harmonizaria com o prato.

Os vinhos escolhidos foram:
-Almadén Tannat 2011 - Campanha, Brasil (Miolo). Um belo exemplo de como a uva tannat se adapta na campanha gaúcha.
-Catedral Reserva 2008 - Dão DOC, Portugal (importado pela Domno). Da tradicional região do Dão, um corte de tinta roriz (50%), alfrocheiro (30%) e touriga nacional (20%).
-Vistalba Corte C 2011 - Mendoza, Argentina (importado pela Domno). Um corte de malbec (92%) e cabernet sauvignon (8%).

A nossa metodologia foi a seguinte: degustar junto com o cordeiro e discutir separadamente cada um dos vinhos, dando uma nota de 0 a 10 para a harmonização. Começando do mais antigo para o mais novo.

Em primeiro lugar degustamos o Catedral, um vinho de 5 anos. O vinho é muito bom, mas na harmonização ele se sobressaiu ao prato, deixando apenas o retrogosto frutado do vinho. Nota 7,3.



Em segundo degustamos o Almadén, 2011 como o Vistalba, mas de menor teor alcoólico. O Almadén foi a surpresa do almoço, apesar de ser o mais barato, ele casou bem com o prato, ficando devendo um pouco em estrutura. Nota 8,2.


Por último o Vistalba, um malbec com alto teor alcoólico, que combinou muito bem com o prato, servindo de suporte para ele. Nota 9.



Como dito no post anterior, era domingo de Gre-Nal. E domingo de Gre-Nal só termina bem quando o jogo acaba e o Inter vence! Mas, seguindo a tendência dos últimos anos, é mais provável que o jogo seja feio e termine empatado, o que aconteceu.
Mas analisando o domingo como um todo, digamos que foi um bom domingo, um bom cordeiro de almoço, acompanhado de 3 bons vinhos e boa conversa com os amigos! Que todos domingos possam ter esses elementos, ou pelo menos um deles!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Cervejas de Verão



Cervejas de verão? Mas não é toda cerveja que é para beber no verão?

Sim e não.

Sim. Todas as cervejas industriais brasileiras (tirando poucas exceções, como as Bocks que são sazonais), são cervejas leves, de baixo teor alcoólico, com pouca complexidade de aromas e sabores, feitas para serem tomadas bem geladas. Indicadas para os dias escaldantes do nosso verão.

Não. Grande parte das cervejas importadas, que hoje são facilmente encontradas na médias e grandes cidades brasileiras, são cervejas mais complexas, de maior ter alcoólico e estrutura. E mesmo as cervejas artesanais brasileiras, que dia a dia ganham quantidade de rótulos e qualidade de produto, são cervejas para serem tomadas em temperaturas mais alta que nossas pilsens industriais.

No post de hoje falarei de duas cervejas da marca inglesa Fuller's, a Chiswick Bitter e a Organic Honey Dew, e de uma cerveja brasileira, Paulistânia, produzida pela Casa Di Conti Ltda em Cândido Mota - SP.

A Chiswick Bitter é uma cerveja de baixo teor alcoólico (3,5%), mas que demonstra ter mais pelo amargor bem presente.
De coloração dourada média. Extremamente refrescante e com presença muito marcante do lúpulo.

A Organic Honey Dew tem teor alcoólico de 5,0%, e contém mel orgânico. De coloração dourada escura.
Contrasta seu amargor (e os aromas de lúpulo) com as notas de mel, que, juntos com a refrescância, resulta em uma cerveja bem equilibrada. No nariz temos notas de levedura e chocolate branco também.

A Paulistânia é uma cerveja mais encorpada que suas primas brasileiras, mas apresenta uma refrescância para acompanhar essas noites mornas de nossa primavera/verão. Apresenta uma coloração dourada média.

Origem: as duas inglesas, Riveira-URU, e a Paulistânia, Supermercado Apolo - Bento Gonçalves/RS
Preço: as inglesas, US$3,20 cada (cerca de R$ 6,40), a Paulistânia, R$ 5,00 cada (comprando 6)
Harmonização: Calor, boa companhia e uma bela vista.

P.S.: minha descrição de cada cerveja é curta, não sei degustar cerveja como sei degustar vinho (que já não é grande coisa), o objetivo desse post é mostrar exemplos de diferentes cervejas, aprovadas por mim, para acompanhar o calor e as amizades.